Reforma Tributária no agro é debatida em seminário da Farsul
Evento reuniu produtores, especialistas e a secretária da Fazenda do RS para discutir mudanças no sistema tributário e seus impactos no setor agropecuário
Seminário da Farsul reuniu produtores e especialistas para debater os impactos da Reforma Tributária no agro. Foto: Emerson Foguinho / Divulgação
A Reforma Tributária no agro foi o tema central de um seminário promovido pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul). O encontro ocorreu na sede da entidade.
O evento reuniu produtores rurais, contadores e advogados. O objetivo foi esclarecer as principais mudanças no sistema de impostos brasileiro e seus reflexos diretos na atividade agropecuária.
Na abertura, o presidente do Sistema Farsul, Domingos Velho Lopes, destacou a relevância do debate. Segundo ele, o setor precisa se preparar para uma nova relação com o fisco, marcada por maior controle e gestão tributária.
A secretária da Fazenda do Rio Grande do Sul, Pricilla Santana, afirmou que a Reforma Tributária no agro busca reduzir o chamado “Custo Brasil” e ampliar a eficiência econômica. No entanto, alertou para os desafios da nova estrutura. Para ela, o IVA representa um custo que exige controle rigoroso dos créditos tributários.
Pricilla também ressaltou que 2026 será um período de aprendizado e adaptação técnica. Nesse cenário, produtores precisarão revisar processos e estratégias para evitar perda de competitividade.
Durante os painéis técnicos, especialistas explicaram a transição dos tributos atuais — ICMS, ISS, PIS e Cofins — para o IBS e a CBS. O contador Hugo Monteiro da Cunha e o advogado Anderson Trautman Cardoso detalharam os impactos práticos dessas mudanças.
Um dos pontos de maior atenção foi a situação dos pequenos e médios produtores. Com o novo limite de R$ 3,6 milhões de faturamento, muitos passarão a ser contribuintes obrigatórios. A escolha entre o regime simplificado ou o sistema de débitos e créditos deverá ser estratégica.
A gestão eficiente dos créditos tributários passou a ser apontada como um diferencial competitivo no novo modelo. Segundo os palestrantes, decisões mal planejadas podem elevar custos e comprometer margens.
Sandro Elias, diretor da Safras Cifras, destacou que a Reforma Tributária no agro também traz reflexos indiretos sobre renda e patrimônio. Para ele, a profissionalização da gestão será indispensável nos próximos anos.
O agronegócio brasileiro, no entanto, conquistou avanços importantes no texto da reforma. Renato Conchonn, da CNA, ressaltou a redução de 60% na alíquota para insumos e produtos agropecuários, além da isenção para itens da cesta básica, frutas, hortaliças e ovos.
O seminário encerrou com um alerta claro ao setor produtivo. A adaptação às novas regras será decisiva para manter a competitividade.
